Prefiro o hiato,
pois é onde deito,
onde o meu silêncio habita
e onde gosto de estar.
Existe a pausa em palavras
e no borbulhar das águas dando
espaço ao pensar.
Na doçura de
lábios cerrados
e olhos fechados
eu penso como pesa meu pesar.
È em profundo escuro
onde buscamos nossos
maiores desejos
e digerimos nossa vida,
nosso penar.
È em sonho,
distante de tudo,
no hiato profundo
e no silêncio terno...
Onde até mesmo as nuvens
são comestíveis
e a chuva é cevada!
Onde encontramos a entrada
para nosso verdadeiro mundo
todo escuro e todo tácito.
Mudo.