quinta-feira, 3 de junho de 2010

Hiato

Prefiro o hiato,
pois é onde deito,
onde o meu silêncio habita
e onde gosto de estar.

Existe a pausa em palavras
e no borbulhar das águas dando
espaço ao pensar.

Na doçura de
lábios cerrados
e olhos fechados
eu penso como pesa meu pesar.

È em profundo escuro
onde buscamos nossos
maiores desejos
e digerimos nossa vida,
nosso penar.

È em sonho,
distante de tudo,
no hiato profundo
e no silêncio terno...
Onde até mesmo as nuvens
são comestíveis
e a chuva é cevada!

Onde encontramos a entrada
para nosso verdadeiro mundo
todo escuro e todo tácito.
Mudo.

2 comentários:

  1. Complicado definir sentimentos...por isso pegamos caneta e papel e colocamos eles de forma irresponsavel apenas soltando beleza e depois reagrupando o conto para que ele mesmo se agrupe.....somos instrumentos dessa beleza incosciente....sinto ritmo, mas não clássico....como se fosse um batuque bem baixo que vai aumentando e te afetando gradativamente...é o que eu sinto
    Parabéns!

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  2. Como é bom ler este poema aqui.
    Siga em frente, Nina... assim... distante...
    bjs!

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