terça-feira, 11 de maio de 2010

Vórtice

E no primeiro momento,
ele surgiu em meio a poeira
do sebo
e o vento que varria
a calçada do extenso comércio burguês.
Acenei para um freguês
e me peguei observando alguém
com um caminhar leve e um olhar
que se muito apreciado
poderia talvez até matar...

Singela e sútil
quase como uma imbecil,
pude sentir seus olhos
lindos, profundos e
presos aos meus.
Logo conheci um novo mundo.

E no segundo momento
enquanto tomávamos um café
e fumávamos um cigarro...
Pude sentir o quão
ele me levou para longe
de mim, longe da razão.
Lá estava eu mais uma vez
pensando com o coração.

Naquele espaço,
onde perdi meu laço
e acompanhei o compasso,
descompassado do arranjo
que bombeava o meu sangue.
Me questionei...

E quando tal mundo
eu não puder mais visitar
Chorarei eternamente
até meu corpo secar?

Toda terra poderá estremecer
caso eu não possa mais te ver.
O medo confronta meu coração
minha alma confronta minha razão,
irei novamente caminhar com o sofrer?!

Não, não, não e não!
Preciso recuperar minha razão.
Meu tempo sozinha
não poderá ter sido em vão.

Depois de voar a realidade,
voltei a olhar profundamente os olhos
que me prenderam pela eternidade.
E encarando aquele mundo
bem a minha frente me coloquei a filosofar...

Quero um mundo de emoções
com amores e cores,
vivências e decepções.
Levando em meio lágrimas e sorrisos
a vontade de viver
a vontade de sofrer
para que eu possa aprender
e não me arrepender um dia
de amar e colocar tudo em risco
sempre que aparecer um novo mundo
nos olhos, novas decepções e emoções.

Ficarei então presa a essa real e presente fantasia
contemplando todos os crepúsculos junto a ele
sem estimar e pensar no amanhã.
Adeus, deixe recado pois estou arriscando

2 comentários:

  1. Jamais ter medo do novo, de amar e experienciar o imprevisível...
    A vida é curta, rápida e bela para nos prendermos às incertezas.
    palavras fortes, belo poema! gostei!

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