segunda-feira, 5 de julho de 2010

Acaso

Pegou-me desprevenida
no meio da avenida,
eu de olhos fechados,
sorria, sentindo o suor
descer enquanto cantava
qualquer samba triste.

Arrastou-me para dentro dele,
iluminando meus olhos
dando vida aos sonhos há tanto adormecidos
ao amor tão desbotado, esperando novas cores.

Deitou-me ao seu lado,
claro que muito educado!
Acariciou-me como se uma relíquia eu fosse
trazendo-me à vida, toda despida.

Ah! Agora amo,
amo o desejo como também amo o medo.
Amo o gostoso começo como também
não suportaria o fim.
Amo sua existência que por hora
completa a minha.

Acentuando meus desejos,
misturando amor e o ódio
tornando tais elementos
uma única essencia
com total impacto em meu existir.

É na avenida, nos arcos
e por todo canto da maravilha
onde o acaso nos escraviza.

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